Prezados Guerreiros da Causa Ufológica,
Já faz três meses que não publico nada aqui. Em primeiro lugar, porque estive sem tempo para escrever — este final de ano foi muito puxado para meus estudos e trabalho. Em segundo, porque a própria ufologia não teve grandes novidades e, honestamente, relutei muito para falar sobre os 30 anos do Caso Varginha. Isso porque já escrevi antes que não acredito que saia mais nada de novo sobre o caso três décadas depois dos acontecimentos; além disso, a polêmica que se instalou após a exibição do documentário da Globo só trouxe mais dúvidas do que respostas.
No entanto, vi esta reportagem do Brasil de Fato, feita por uma das repórteres que cobriu Varginha, e achei seu relato muito interessante, principalmente por se tratar de alguém que trabalhava oficialmente para um jornal e não era ufóloga — ou seja, uma pessoa que observava tudo de fora, sem a interferência da paixão ou da crença.
| Vitório Pacaccini é um ufólogo conhecido pela extensa pesquisa sobre o caso do 'ET de Varginha' — Foto: Arquivo pessoal/Vitório Pacaccini |
O Caso Varginha é, sem dúvida, um dos maiores casos da ufologia brasileira, perdendo talvez apenas para a Operação Prato e para a Noite Oficial dos OVNIs. Também é importante porque fala muito mais sobre a comunidade ufológica do que sobre os próprios supostos extraterrestres. Vejo muitas acusações sobre como alguns pesquisadores ganharam dinheiro com esse caso, sendo que **todo mundo** que pesquisou Varginha realmente ganhou seu trocado com isso. Todos os ufólogos envolvidos lançaram seus próprios livros e documentários, com suas próprias conclusões sobre o acontecido. Há quem diga que foram capturados dois alienígenas; outros afirmam que foram quatro e, mais recentemente, fala-se até em oito criaturas. Uma coisa se torna óbvia: os ufólogos nem sequer foram capazes de chegar a um consenso investigativo sobre o caso — fica difícil defender algo assim.
| Ufólogo que ajudou a projetar caso ET de Varginha diz hoje que não há provas e afirma que história não existiu: 'Não acredito em mais nada' — Foto: Reprodução TV Globo |
Pacaccini foi o primeiro a lançar seu livro sobre o assunto, separando-se de Ubirajara Rodrigues, com quem havia investigado. Pouco depois, desapareceu e virou uma lenda urbana na comunidade ufológica. Todos especulavam sobre seu paradeiro; havia até uma comunidade no Orkut e no Facebook com o nome “Onde está Victório Pacaccini?”. Houve quem dissesse que ele se recusava a falar sobre o assunto, alegando que aquilo era parte do passado e que era um novo homem. Pacaccini só reapareceu com o lançamento do documentário de James Fox, “Momento de Contato”, e não deu muitas explicações sobre os 20 anos de seu desaparecimento, voltando a falar do assunto como se nada tivesse acontecido — situação que me incomoda até hoje e deve incomodar ainda mais as testemunhas que ele diz ter “jurado proteger”.
| Canal Além das Dimensões |
Já a retirada e o afastamento de Ubirajara Rodrigues são mais compreensíveis: ele assumiu um cargo importante na OAB de Varginha, e uma posição dessa envergadura não combinava com a vida de ufólogo. Eu mesma, que não sou nada de importante neste mundo, quando alguém quer me atacar ou descredibilizar meus argumentos, sempre puxa a carta da ufologia para me criticar, dizendo que não tenho moral para falar de nada porque sou uma “doidinha que acredita em homenzinhos verdes”. Imagina, então, a pressão que uma pessoa em cargo público enfrentaria se continuasse na ufologia. Conhecemos bem a trágica história de James McDonald para entender que Ubirajara fez o correto para si mesmo e para sua família ao deixar a ufologia.
Com o passar do tempo, outros pesquisadores se envolveram com Varginha e outras explicações começaram a surgir. Há até quem alegue que os seres vistos pelas meninas eram, na verdade, “capetinhas” que saíram do centro da Terra por meio de um ritual satânico realizado por ricos fazendeiros locais interessados em estender seus pactos de riqueza.
Enfim, James Fox está preparando uma segunda parte de seu documentário sobre o caso e está tão empolgado que fez até uma coletiva de imprensa internacional para anunciar seu empreendimento. Veremos que restos de tutano ainda conseguirão sugar do Caso Varginha. Enquanto isso, leiam esta interessantíssima matéria de Jean Silva sobre a jornalista Margarida Hallacoc e sua visão profissional dos acontecimentos de Varginha em janeiro de 1996.
LEIAM A EXCELENTE MATÉRIA DO BRASIL DE FATO:
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