Prezados guerreiros da causa ufológica,
Agora que o hype do influenciador (e vamos apenas tratá-lo por esse nome para evitar trazer mais problemas para a vida dele e para a nossa) diminuiu, e tudo o que podia acontecer de errado nesse caso de fato aconteceu, achei interessante falar abertamente sobre um assunto que costumo abordar bastante em meu blog: a ingrata tarefa que é ser ufólogo.
Como vocês que me acompanham aqui já devem saber, eu sempre falo sobre como não existe nada de romântico e aventureiro na pesquisa ufológica. Os casos sempre nos colocam em situações absurdas e até mesmo perigosas, e quase nunca temos apoio ou mesmo uma conclusão satisfatória daquilo que se está investigando. Isso ficou evidente no caso do influenciador e mostrou de forma clara que não existe final feliz para os ufólogos.
Após a explosão do caso, que foi explorado até sua última gota de tutano pelos veículos de imprensa, os pesquisadores se disponibilizaram a fazer a única coisa pela qual eles existem: pesquisar o caso.
Quem está dentro da bolha da ufologia sabe que cerca de 90% dos casos que aparecem são enganos e fraudes; apenas 10% — ou até menos do que isso — podem ser considerados não identificados. Quando os primeiros indícios de que as luzes que o influenciador gravou podiam se tratar das luzes de uma chácara surgiram, o posicionamento do rapaz começou a mudar radicalmente, e ele passou a enfrentar um princípio de “síndrome do contatado”. Aqui, vou dar o benefício da dúvida ao rapaz, pois acredito que ele, com medo de perder os seguidores e os patrocínios recém-adquiridos, decidiu não permitir que as pesquisas continuassem, fez um verdadeiro Big Brother em torno do assunto, gravando até pesquisadores sendo expulsos de sua propriedade e tretas homéricas com outros influenciadores. O caos se instalou; não se falava mais de outra coisa. O ponto mais grave de tudo veio quando dois dos animais que viviam na propriedade apareceram mortos, coisa que chocou seus seguidores, pois ele alega que as mortes foram propositais. Chegou-se, inclusive, a acusar os ufólogos de terem matado os bichos como retaliação ao fato de o influenciador não ter permitido pesquisas em seu sítio.
Acusações MUITO GRAVES, que mereciam ser investigadas. Porém, em vez de levar os vídeos para a polícia, o tal influenciador teve um surto e simplesmente queimou o HD com as filmagens! E não foi apenas esse caso lamentável que, infelizmente, aconteceu. Durante uma participação no programa Domingo Legal, apresentado por Celso Portiolli, o influenciador em questão proibiu a participação do ufólogo Edison Boaventura, que daria sua versão do acontecido citando as luzes da chácara como possível explicação. Uma situação parecida com essa aconteceu no ano de 2001, também no Domingo Legal, quando a Tiazinha alegou ter filmado um OVNI e o apresentou ao vivo, na época, com Gugu Liberato na liderança da atração.
No dia seguinte, também se descobriu que o renomado ufólogo Claudeir Covo iria participar do programa para mostrar os resultados de sua análise e evidenciar que o que ela havia filmado era o dirigível da Goodyear, que passava constantemente pela cidade naqueles dias, também foi desconvidado do programa na última hora, deixando Tiazinha propagar, impunemente, sua gravação sem nenhum questionamento de especialistas.
Acusações vexatórias
Uma coisa interessante que se viu nos dias que se seguiram foram canais e perfis que nunca falaram em ufologia, agora dando suas opiniões, geralmente acusatórias, contra o assunto, como se a ufologia toda se resumisse ao caso do influenciador, que pouco teve de investigação ufológica. Aliás, foi para mim muito interessante ver canais de ateísmo e cristianismo unidos de mãos dadas em seu ódio e guerra contra a ufologia. No que se refere ao ódio, os recém-seguidores do influenciador, abraçando o seu constante drama e instabilidade mental, começaram a culpar os ufólogos pelos crescentes episódios de depressão dos quais ele alega se encontrar. Cheguei, inclusive, a reagir a um desses comentários no meu Instagram, onde tratei desse mesmo assunto que escrevo agora.
O que esse caso vem nos mostrar é que o trabalho de um ufólogo continua sendo solitário, triste e ingrato.
Numa simples tentativa de encontrar uma explicação racional para um caso que ganhou grande repercussão, eles foram atacados e acusados de tudo o que vocês podem imaginar e por todos os lados possíveis. Quando os pesquisadores classificam um caso como “não identificado”, são atacados com alegações de que não pesquisaram direito; quando solucionam um caso, sofrem acusações de que estão querendo monopolizar o fenômeno UFO só para eles. A verdade é que o mundo continua muito hostil para quem resolve entrar nesse assunto, pois, como esse caso mostrou, a verdade parece ser a única coisa que as pessoas não querem engajar

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